Um dia, no século passado, desembarcando de pequeno avião
no pequeno aeroporto que minha cidade tinha - Alegrete já teve, não tem mais,
mas já teve - avistei, colado numa parede com fita adesiva um cartaz, com a
figura de uma garbosa nave, que anunciava, pra dali alguns dias, um congresso
de ufólogos - já teve congressos também. O texto, meio para o grandioso, encerrava com uma frase que me deixou deveras
impressionado: “Alegrete, a capital dos discos voadores”. Tem coisa mais inusitada?
Não era a capital da pastagem, das lavouras, das ovelhas, do gado, dos
currais. Era a capital dos discos voadores. Por que? Não me perguntem! Mas que
calou fundo a afirmação peremptória... calou. Nunca mais (até que chegados
novos tempos) esqueci e/ou deixei de mencionar “a capital dos discos voadores”.
Deve ser “desdaí” - ou de antes, quem sabe? - que, com todo direito, me percebi assim, um tanto “aéreo”!
A passagem do “dia da criança” me fez voltar a
pensar nisso. E a refletir que criança é arte, é devaneio, é liberdade, inclusive
para embarcar no (ou desembarcar do) surreal. Amigos, amigas, boa viagem pelo planeta, mas, mesmo
envelhecendo, não se separem totalmente das emoções do passado. Não se percam desse precioso acervo de liberdade e fantasia. Feliz “dia da criança” para todas as crianças de sempre!
