sábado, 15 de outubro de 2011

A rua dos cataventos

                        - Mário Quintana (1938) -

Recordo ainda... E nada mais me importa...
Aqueles dias de uma luz tão mansa
Que me deixavam, sempre, de lembrança,
Algum brinquedo novo à minha porta...

Mas veio um vento de desesperança
Soprando cinzas pela noite morta!
E eu pendurei na galharia torta
Todos os meus brinquedos de criança...

Estrada fora após segui... Mas, ai,
Embora idade e senso eu aparente,
Não vos iluda o velho que aqui vai:

Eu quero os meus brinquedos novamente!
Sou um pobre menino... acreditai...
Que envelheceu um dia de repente!...

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Guarda




. . .                                                            
“Não se admire se um dia
Um beija flor invadir
A porta da sua casa
Te der um beijo e partir
Fui eu que mandei o beijo

Que é pra matar meu desejo
Faz tempo que eu não te vejo
Ai que saudade de ocê”
. . .
Hoje, sem mais nem menos, acordei com essa música na cabeça. E eu nem lembrava mais que ela estava guardada em algum escaninho da memória. (Composição de Vital Faria, Paraíba, 11.08.82)

domingo, 12 de junho de 2011

Um dia de domingo

Eu preciso te falar
Te encontrar de qualquer jeito
Pra sentar e conversar
Depois andar de encontro ao vento
Eu preciso respirar
O mesmo ar que te rodeia
E na pele quero ter
O mesmo sol que te bronzeia
Eu preciso te tocar
E outra vez te ver sorrindo
E voltar num sonho lindo
Já não dá mais pra viver
Um sentimento sem sentido
Eu precio descobrir
A emoção de estar contigo
Ver o sol amanhecer
Como um dia de domingo

Faz de conta que ainda é cedo
Tudo vai ficar por conta da emoção
Faz de conta que ainda é cedo
E deixar falar a voz do coração


(Michael Sullivan e Paulo Massadas)
                                           


Coqueiros, 1993

 

domingo, 22 de maio de 2011

Lembra de mim


Lembra de mim
Dos beijos que escrevi nos muros a giz
Os mais bonitos continuam por lá
Documentando que alguém foi feliz

Lembra de mim
Nós dois nas ruas provocando os casais
Amando mais do que o amor é capaz
Perto daqui, ah! Tempos atrás

Lembra de mim
A gente sempre se casava ao luar
Depois jogava nossos corpos no mar
Tão naufragados e exaustos de amar

Lembra de mim
Se existe um pouco do prazer em sofrer
Querer te ver talvez eu fosse capaz
Perto daqui, ou, tarde demais
Lembra de mim...

                                                  Ivan Lins, lembrado em março/2006

 

quinta-feira, 19 de maio de 2011

London, London


Momentos imperiais. Sua Majestade, pompa e circunstância




          Guarda real atrapalhado. Esqueceu algum rito




         A rainha sacou. Viu, fez que não viu - riu


quarta-feira, 6 de abril de 2011

entalados (ou será "enlatados"?)

Há cinco anos – informa o Detran – trafegava diariamente pelo circuito principal da Grande Florianópolis (a área conurbada - capital mais São José, Palhoça e Biguaçu) uma frota de 303.852 veículos (automóveis, ônibus, micro-ônibus, motos, camionetes, caminhões e derivados). Este ano, em fevereiro, essa frota já contava 482.530 veículos. Agora, se não chegou, beira os 500 mil.

Florianópolis tem a maior parcela, 272.531 veículos; tinha 187.144 há cinco anos. Em Palhoça e Biguaçu, o aumento, também em cinco anos, foi de 100%. Palhoça tinha 33.435 unidades, agora tem 67.054, enquanto que em Biguaçu a frota passou de 15.099 para 29.061 veículos. São José tinha 68.154, agora tem 115.884 veículos. A questão hoje, além da circulação em condições razoáveis, é onde estacionar.

Como ninguém tá fazendo nada ainda e considerando que obra viária é coisa muito complicada no Brasil -- consome anos desde o lançamento do edital até a conclusão da licitação (que passa por fases sucessivas de denúncias acerca de privilégios no edital, de novos editais corrigindo os anteriores, de acusações quanto à documentação viciada na habilitação, de julgamento da concorrência em geral taxado de parcial, de prazos para argumentação, da defesa dos envolvidos, de novos julgamentos, das novas acusações, da contra-argumentação e, por fim, “dos finalmentes”) e a assinatura dos contratos, fora o tempo de fazer a obra, de faltar verba, de anunciar repasses que não se concretizam, de aportes que, quando chegam, já são irrisórios diante de custos que se multiplicam, de jogos de empurra-empurra sobre a razão das paralisações e de mais uma infinidade de prazos elásticos sempre jogados pra frente, até quase o dia de “são nunca”, ou do juízo final -- em breve estaremos todos morando no congestionamento, pois que passando, seguramente, mais tempo em cortejos quilométricos do que nas nossas próprias casas.

Espera-se que, pelo menos, os carros (todos) sejam cada vez mais confortáveis!

terça-feira, 5 de abril de 2011

e agora?

“Não pise na grama”! Sim, Prefeitura e contratadas, e como chegaremos aos banquinhos, para jogar ali nas mesinhas? Voando?



zelo municipal

sexta-feira, 1 de abril de 2011

estelar

Não foram somente casamentos e divórcios, filmes, indicações e prêmios. A marca de Elizabeth Taylor em sua passagem pela terra também tangencia um largo caminho de amizades verdadeiras, preocupações com os desvalidos e solidariedade reconhecida. Tanto que, da imensa fortuna que amealhou ao longo da carreira fulgurante, sabe-se, apesar de ainda não ter sido aberto o testamento, que, além dos filhos, beneficiou alguns amigos e várias instituições voltadas à prevenção e ao combate da AIDS.
Começou ainda criança, descoberta aos 10 anos e contratada pela Universal Pictures para estrelar o filme There's One Born Every Minute e depois para desempenhar papel na série Lassie, década de 40. Vêm daí a paixão pelo cinema e a vontade de concretizar o maior sonho: permanecer no estúdio. Evoluiu para a carreira bem sucedida ao filmar A Place in the Sun (Um Lugar ao Sol), com o ator Montgomery Clift, e Giant (Assim Caminha a Humanidade), com Rock Hudson e James Dean, ambos na década de 50.
Liz, como ficou conhecida, foi reverenciada como uma das mulheres mais bonitas do mundo. A marca registrada, segundo enciclopédias de arte, foram os traços delicados e olhos, de uma cor azul-violeta, emoldurados por sobrancelhas espessas e negras. Celebridade cercada por intenso glamour e diva eterna dos anos de ouro do cinema, foi uma compulsiva colecionadora de jóias. Certa vez, ficou aflita quando o mágico David Copperfield fez, por brincadeira, sumir de suas mãos um de seus anéis.
Entre os vários relacionamentos, o mais duradouro foi com o ator britânico Richard Burton, com quem se casou duas vezes e fez duplas em vários filmes nos anos 60, como o antológico Cleópatra, o dramático Who's Afraid of Virginia Woolf? (Quem tem medo de Virgínia Woolf?), adaptação de texto do dramaturgo Edward Albee, pela qual ela ganhou seu segundo Oscar, The Comedians (Os Farsantes) e The Taming of the Shrew (A Megera Domada), versão cinematográfica da célebre peça de Shakespeare.
O primeiro Oscar veio em 1960 com o papel da call-girl de BUtterfield 8 (Disque Butterfield 8). O reconhecimento do prêmio máximo do cinema consagrou-a como a mais bem paga atriz em todo mundo. Teve dois filhos com Michael Wilding: Michael Howard Taylor Wilding (1953) e Christopher Edward Taylor Wilding (1955). Com Michael Todd teve uma filha em 1957, Isabel Francisca Taylor Todd. Em 1975, com Richard Burton, adotou uma menina alemã, chamada Maria Taylor Burton.
Liz Taylor foi, entre as grandes atrizes, pioneira no envolvimento em ações filantrópicas, tendo primeiro levantado fundos para campanhas contra a AIDS, a partir da década de 1980, logo após a morte do amigo ator Rock Hudson. A despeito de ter nascido fora dos Estados Unidos, em 2001 recebeu do presidente Bill Clinton a segunda mais importante medalha de reconhecimento a um cidadão norte-americano: a Presidential Citizens Medal, oferecida por causa de seu trabalho voluntário.
Filmes de Elizabeth Taylor, vistos em lançamento e salas de cultura, influenciaram o embasamento cinematográfico e cultural de gerações no Brasil. Alguns exemplos:
* Doce pássaro da juventude (Sweet bird of youth) - 1989
* O pássaro azul (Blue bird, The) - 1976
* Era uma vez em Hollywood (That's entertainment!) - 1974
* Jogo de Paixões (Only game in town, The) - 1970
* Ana dos mil dias (Anne of the thousand days) - 1969
* O Pecado de Todos Nós (Reflections in a golden eye) - 1967
* A megera domada (La bisbetica domata) - 1967
* Doutor Faustus (Doctor Faustus) - 1967
* Quem Tem Medo de Virginia Woolf? (Who afraid of Virginia Woolf?) - 1966
* Adeus às Ilusões (Sandpiper, The) 1965
* Gente Muito Importante (V.I.P.s, The) - 1963
* Cleópatra (Cleopatra) - 1963
* Disque Butterfield 8 (Butterfield 8) - 1960
* De Repente, No Último Verão (Suddenly, last summer) - 1959
* Gata em Teto de Zinco Quente (Cat in a hot tin roof) - 1958
* Assim Caminha a Humanidade (Giant) - 1956
* A Última Vez Que Vi Paris (Last time I saw Paris, The) - 1954
* No Caminho dos Elefantes (Elephant walk) - 1954
* Rapsódia (Rhapsody) - 1954
* O belo Brummell (Beau Brummell) - 1954
* Ivanhoé, o Vingador do Rei (Ivanhoe) - 1952
* Um Lugar ao Sol (A place in the sun) - 1951
* Quo Vadis? (Quo Vadis?) - 1951


Em filmagem
                                 Oscars


No Senado dos EUA

quarta-feira, 30 de março de 2011

henfil?

"Se não houver frutos, valeu a beleza das flores.
  Se não houver flores, valeu a sombra das folhas.
  Se não houver folhas, valeu a intenção da semente".
                                                                          

Versos atribuídos, na rede, durante algum tempo, ao cartunista, jornalista e escritor Henfil (que, um dia, apenas os transcreveu). Na verdade são de Chico Ceola, o professor de Física Maurício Francisco Ceolin, da PUC de Campinas.

domingo, 27 de março de 2011

adventure

“Quem, ao crepúsculo, já sentiu o cheiro da fumaça de lenha, quem já ouviu o crepitar do lenho ardendo, quem é rápido em entender os ruídos da noite! Deixai-o seguir com os outros... os passos dos jovens se volvem aos campos de desejo aprovado e encanto reconhecido”.  (Rudyard Kipling)
Mogli, o menino lobo

sábado, 26 de março de 2011

imagine

Imagine there's no heaven,
It's easy if you try,
No hell below us,
Above us only sky,
Imagine all the people
living for today...

Imagine there's no countries,
It isn't hard to do,
Nothing to kill or die for,
No religion too,
Imagine all the people
living life in peace...

Imagine no possessions,
I wonder if you can,
No need for greed or hunger,
A brotherhood of men,
imagine all the people
Sharing all the world...

You may say I'm a dreamer,
but Im not the only one,
I hope some day you'll join us,
And the world will live as one
( John Lennon, músico e compositor britânico, líder do grupo de rock “The Beatles”, nascido em Liverpool no dia 9 de outubro de 1940, também escritor e ativista em favor da paz. Assassinado - que ironia! - em New York no dia 8 de dezembro de 1980 )

quinta-feira, 24 de março de 2011

felinos



amigo-gato porteño recepciona turistas no jardim japonês



boris, o folgado, alheio à reunião - trata da higiene "pessoal"

quarta-feira, 23 de março de 2011

outra vez

Você foi o maior dos meus casos
De todos os abraços o que eu nunca esqueci
Você foi dos amores que eu tive
O mais complicado e o mais simples p’ra mim.

Você foi o melhor dos meus erros
A mais estranha história que alguém já escreveu
E é por essas e outras que a minha saudade
Faz lembrar de tudo outra vez.

Você foi a mentira sincera
Brincadeira mais séria que me aconteceu
Você foi o caso mais antigo
O amor mais amigo que me apareceu
Das lembranças que eu trago na vida
Você é a saudade que eu gosto de ter
Só assim sinto você bem perto de mim outra vez.

Esqueci de tentar te esquecer
Resolvi te querer por querer
Decidi te lembrar quantas vezes
eu tenha vontade
Sem nada perder.

Você foi toda a felicidade
Você foi a maldade que só me fez bem
Você foi o melhor dos meus planos
E o pior dos enganos que eu pude fazer
Das lembranças que eu trago na vida
Você é a saudade que eu gosto de ter
Só assim sinto você bem perto de mim outra vez.
                                                                     Isolda Bourdot

Tamanho foi o sucesso, que muita gente pensa que “Outra vez” é de Roberto Carlos mesmo. Não, é de Isolda e do irmão Milton Carlos (já falecido). De tradicional família paulista de maestros e compositores, Isolda Bourdot tem mais de 300 músicas gravadas por gente muito famosa. Ela começou, junto com o irmão, nos festivais de música dos anos 60 e 70, em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Isolda tem site oficial - http://www.isolda.mus.br/ -, tem o blog - http://blogisolda.blogspot.com/ - e esta no Facebook. Ela também criou a Toca Disc Produções Culturais, selo e editora, para dar oportunidade a artistas que desejem divulgar seus trabalhos.

Confira direto na fonte!

terça-feira, 22 de março de 2011

viagens

softmoon

( do filme et - o extraterrestre, de steven spielberg )

bigmoon

confúcio (!)

“Onde quer que você vá, vá com todo coração”

(Kung-Fu-Tse, filósofo prático e político teórico, chinês)

domingo, 20 de março de 2011

tipo assim...

Luís Fernando Veríssimo (escritor, músico, cartunista e tradutor)


Acho que eu tô tipo assim... tá ligado... tipo assim... to ficando velho!
Um dia desses, às 2 da manhã, peguei o carro e fui buscar minha filha adolescente na saída do show do Charlie Brown Jr. Ela e as amigas estavam eufóricas e eu ali, meio dormindo, meio de pijama, tentei entrar na conversa. "E aí, o show foi legal?". A resposta veio de uma mais exaltada do banco de trás: "Cara! Tipo assim, foda!". E outra emendou: "Tipo foda mesmo!" Fiquei tipo assim calado o resto do percurso, cumprindo minha função de motorista.
Tô precisando conversar um pouco mais com minha filha, senão daqui a pouco vamos precisar de tradução simultânea. Pra piorar ainda mais, inventaram o ICQ, essa praga da Internet onde elas ficam horas e horas escrevendo abobrinhas umas pras outras, em código secreto. Tipo assim: "kct! vc tmb nunk tah trank, kra. Eh d+,sl. T+ Bjoks. Jubys". Em português: "Cacete! Você também nunca está tranqüila, cara. É demais, sei lá. Até mais, beijocas. Jubys". Jubys, que deve ser pronunciado "diúbis", é isso mesmo que você está imaginando, a assinatura. Só que o nome de batismo é Júlia, um nome bonito, cujo significado é "cheia de juventude", que eu e minha mulher escolhemos, sentados na varanda, olhando a lua... Pois Jubys é hoje essa personagem de cabelo cor de abóbora, cheia de furos na orelha que quer encher o corpo de piercings e tatuagens.
Tô ficando velho! Outro dia tentei explicar pro mesmo bando de adolescentes o que era uma máquina de escrever. Nunca viram uma. A melhor definição que consegui foi "é tipo assim um computador que vai imprimindo enquanto você digita". Acho que não entenderam nada. Eu sou do tempo do mimeógrafo. Pra quem não sabe, é uma máquina que você coloca álcool e dá manivela pra imprimir o que está na folha matriz. Por sua vez, essa matriz precisa ser datilografada (ver "datilografia" no dicionário) na tal máquina de escrever, sem a fita (o que faz com que você só descubra os erros depois do trabalho feito), com o papel carbono invertido... Enfim, procure na Internet que deve haver algum site sobre mimeógrafo, papel carbono, essas coisas. Se eu ficar explicando cada vocábulo descontinuado, não vou conseguir acompanhar meu próprio raciocínio.
Voltando às garotas, a cultura cinematográfica delas varia entre a "obra" de Brad Pitt e a de Leonardo de Caprio. Há anos tento convencê-las a ver "Cantando na Chuva", mas sempre fica para depois. Um dia, cheguei entusiasmado em casa com a fita de um filme francês que marcou minha infância: "A guerra dos botões". Juntei toda a família para a exibição solene e a coisa não durou nem 5 minutos. O guri foi jogar bola, Jubys inventou "um trabalho de história sobre a civilização greco-romana que tem que entregar tipo assim até amanhã senão perde ponto" e até minha mulher, de quem eu esperava um mínimo de solidariedade, se lembrou que tinha um compromisso com hora marcada e se mandou. Fiquei ali, assistindo sozinho e lembrando do tempo em que eu trocava gibi na porta do Capitólio.
Uma amiga me contou que o filho de 10 anos ficou espantado quando viu um telefone de discar. Sabe telefone de discar? É tipo assim um aparelho sem teclas, geralmente preto, com um disco no meio, todo furado, onde cada furo corresponde a um algarismo. Você enfia o dedo indicador no buraco correspondente ao número que precisa registrar, gira o negócio até uma meia lua de metal e solta a roleta, que lá por dentro está presa a uma mola e faz ela voltar à sua posição inicial. Esse aparelho serve para conversar com outra pessoa como qualquer telefone comum, desde que esteja, é claro, conectado na parede.
Eu sou do tempo em que vidro de carro fechava com maçaneta. E o Fusca tinha estribo e quebra vento. Não espalha, mas eu andei de Simca Chambord, de DKW, Gordini, Aero Willis e até de Romiseta. Não dá pra explicar aqui o que era uma Romiseta, só vou dizer que era tipo assim um veículo automotivo, com 3 rodas, que a gente entrava pela frente e a direção era grudada na porta. Procure na Internet, deve haver um site. Tá bom, tá bom, confesso mais. Usei Camisa Volta ao Mundo, casaquinho de Banlon, assisti à Jovem Guarda, o Direito de Nascer... mas é mentira essa história de que meu primeiro disco gravado foi em 78 rotações.
Há pouco tempo, João, meu filho de 8 anos, pegou um LP e ficou fascinado. Botei pra tocar e mostrei a agulha rodando dentro do sulco do vinil. Expliquei que aquele atrito gerava o som que estávamos escutando... mas aí ele já estava jogando o Pokemon Stadium no Game Boy. Não é que ele seja desinteressado, eu é que fiquei patinando nos detalhes. Ele até que é bastante curioso e adora ouvir as "histórias do tempo em que eu era criança". Quando contei que a TV, naquela época, era toda em preto e branco ele "viajou" na idéia de que o mundo todo era em preto e branco e só de uns tempos para cá é que as coisas começaram a ganhar cores. Acho que de certa forma ele tem razão.
Tipo assim...

este é (ou era) o simca chambord

sábado, 19 de março de 2011

jornalismo

“Uso a ocasião atual para reeditar o conteúdo desse trabalho por duas razões: a primeira delas é a nostalgia, um lembrete de um tempo em que meu olhar era menos estreito e mais lírico; a segunda, porque essas pequenas impressões são os botões desabrochando, o impulso de um interesse em escrever não ficção”.
“Tudo aqui é fatual, o que não significa que é verdade, mas é o mais próximo que posso chegar dela. No entanto, o jornalismo nunca pode ser inteiramente puro, nem pode ser pura a câmera, porque a arte, afinal, não é água destilada: percepções pessoais, preconceitos, a idéia de seletividade do artista polui a pureza da verdade não contaminada”.

(truman capote, ensaios, texto editores, grupo leya, 2007)

quinta-feira, 17 de março de 2011

espólio

Da vez primeira em que me assassinaram
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha...
Depois, de cada vez que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha...

E hoje, dos meus cadáveres, eu sou
O mais desnudo, o que não tem mais nada...
Arde um toco de vela, amarelada...
Como o único bem que me ficou!

(mário quintana, jornalista, escritor e poeta brasileiro, uma personagem portoalegrense)

aceitação

É mais fácil pousar o ouvido nas nuvens
E sentir passar as estrelas
Do que prendê-lo à terra e alcançar o rumor dos teus passos,

É mais fácil, também, debruçar os olhos no oceano
E assistir, lá no fundo, ao nascimento mudo das formas,
Que desejar que apareças, criando com teu simples gesto
O sinal de uma eterna esperança.

Não me interessam mais nem as estrelas, nem as formas do mar,
Nem tu.

Desenrolei de dentro do tempo a minha canção:
Não tenho inveja às cigarras: Também vou morrer de cantar.

(cecília meireles, um dos poetas maiores da lingua portuguesa)

resgate

“Durante muitos anos esperamos encontrar alguém que nos compreenda, alguém que nos aceite como somos, capaz de nos oferecer felicidade apesar de duras provas. Apenas ontem descobri que esse mágico alguém é o rosto que vemos no espelho”.


(ricard bach, escritor e piloto norte-americano)

quarta-feira, 16 de março de 2011

esquina

rues lafayette e cité d´antin. com o velho e bom excelsior opera hotel e o restaurant pizza tivoli. três motivos para plena satisfação - o primeiro, claro, é... paris!

terça-feira, 15 de março de 2011

espaçosa lembrança

Tínhamos tempo, estradas, ruas e estacionamentos; andávamos. Carros dos anos 50 (concepção que durou até anos 80) dão conta de quão espaçoso era o mundo. Salas de estar sobre rodas, foram - por assim dizer - a pré-limousine.

parou por que?

por falar em "a fila anda", as vezes não anda; as vezes não tem o que faça a fila andar, principalmente no verão, fim de tarde, sexta-feira com chuva ou garoa...

segunda-feira, 14 de março de 2011

uma balada embalou os anos 70

When you're weary
Feeling small
When tears are in your eyes
I will dry them all

I'm on your side
When times get rough
And friends just can't be found
Like a bridge over troubled water
I will lay me down
Like a bridge over troubled water
I will lay me down

When you're down and out
When you're on the street
When evening falls so hard
I will comfort you

I'll take your part
When darkness comes
And pain is all around
Like a bridge over troubled water
I will lay me down
Like a bridge over troubled water
I will lay me down

Sail on Silver Girl,
Sail on by
Your time has come to shine
All your dreams are on their way

See how they shine
If you need a friend
I'm sailing right behind
Like a bridge over troubled water
I will ease your mind
Like a bridge over troubled water
I will ease your mind

(uma ponte sobre águas turbulentas, simon & garfunkel, bridge over troubled water)